sábado, 25 de abril de 2009

EXPOSIÇÃO BIBLIOTECA CENTRAL

O Sr. Raul (acima), Tales Sabará (Salla Sete) e Eduardo Alexandre (também Salla Sete), participam da exposição que está acontecendo na Biblçioteca Central da UFMG, no Campus Pampulha. Ficam lá até o dia 30, dividindo o espaço do mezanino com vários outros artistas da EBA.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

SAULO WEIKERT BICALHO

Na recente mostra "O CORPO E O FUNDO" realizada na galeria de arte da Escola de Belas Artes da UFMG, a participação do Saulo não foi apenas uma participação. Diga-se que preencheu a maior parede daquele espaço com trabalhos que foram amplamente comentados e elogiados pelos que tiveram a oportunidade de visitar a mostra.
Outro dia estava escutando o grupo Depeche Mode (ULTRA) e consegui visualizar imagens dentro daquela música que me remeteram ao trabalho do Saulo. Sempre achei muito solta a maneira com a qual ele trabalha as manchas da acrílica, líqüida e lentamente, observando os tons que vão se fundindo e apresentando as formas ou as expressões faciais que as imagens nos apresentam.
O próprio Saulo tem algo a colocar sobre seu trabalho:

É difícil falar da minha pintura, porque a nossa relação não é assim tão fechada. A gente divide o atelier, por coincidência nos mesmos dias, temos também um processo em comum, sobre o qual é mais fácil dizer alguma coisa.

Talvez o mais interessante seja a liberdade de repensar a imagem em camadas de tinta. A acrílica vem atendendo bem nesse sentido, tanto para velar como sobrepor os tons. A partir disso é possível explorar bastante as densidades das coisas, as camadas de “céu”, de “árvore”, de “água”, através da luminosidade/opacidade de cada uma.

Outra relação interessante está na inserção, dentro dessas atmosferas, da figura humana, pela qual venho desenvolvendo uma poética da “recolocação” do homem no espaço, repensando as origens desse homem, sua relações com o ambiente, seus deslocamentos nesses mesmos espaços. São conceitos que aparecem aos poucos, muitos dos quais pela convivência com os amigos no atelier. Essa diversidade humana torna o ambiente do atelier muito rico e prazeroso.


Saulo tem seu site e muito mais coisa pode ser vista por lá: http://saulobicalho.multiply.com



















quarta-feira, 15 de abril de 2009

OS TRABALHOS ATUAIS







Otrabalho na Sala 7 começou em janeiro e já temos alguma coisa bem desenvolvida.
Dentro de processos experimentais e outros já vinculados aos trabalhos que estavam em andamento no atelier da EBA-UFMG, o grupo apresenta uma diversidade interessante e mesmo com trabalhos ainda em fase inicial, algumas linhas já podem ser vistas, tanto na media utilisada quanto nas propostas de cada um dos participantes.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

EDUARDO ALEXANDRE



"Você não acha que, mesmo que pequenos, estes textos
não direcionam o olhar? Pelo menos eu, não sei o que vou
conseguir com esta proposta só sei que é verdadeira para mim.
Então não tenho por hora texto algum sobre os trabalhos realizados."

Eduardo Rosa é um cara que me surpreende a cada momento. Ele não é um cara que tira um coelho de uma cartola. Ele tira vários "coelhos" de várias malas que trabalha naquele atelier da escola. Cada mala trás uma história pelo muito que já carregou. Essa quantidade de história poderia ser comparada à quantidade de matéria descartada, que já não serve para nada, a não ser para a concepção do trabalho do Dudu. "Fiquei esperando algum tempo até que esse poste forre arrancado" foi o que comentou quando chegou no atelier com mais um dos descartes da sociedade. A reciclagem é algo inserido no trabalho que ele desenvolve. Fiquei mesmo admirado com a "porta de sacrário" (esse nome é o que visualizo para o trabalho) que Dudu está desenvolvendo na Sala Sete. O mais interessante é que nenhuma matéria (tinta) foi depositada no suporte (um pedaço de janela ou porta de madeira). Toda a imagem "extraída" da madeira foi composta por manchas e raspagens com ponta seca. O conjunto apresenta tres imagens fortes e cada uma delas nasceu de sujidades e "limpezas" que Dudu nos fez enxergar.
É, mais uma vez estou aqui falando sobre outro trabalho. Acho que os caminhos vão se abrindo à medida que caminhamos e as direções vão se multiplicando na proporção do investimento no trabalho e no pensamento.
Bom ter o Dudu Rosa aqui na Sala 7.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

TALES SABARÁ





















Tales Sabará tem um trabalho forte, envolve as pessoas pela vida apresentando-lhes a morte, numa abordagem que provoca até mesmo os espíriotos contidos nos elementos de sua pintura.
Tudo o que colocao aqui é puramente pessoal. Não sou crítico, não tenho entendimento necessário para dissecar o seu trabalho. Sou colega e apreciador, desde minha primeira passeada pelo atelier na escola. Me causa um certo alívio em ver o quanto a "morte" é natural nas telas que são trabalhadas dentro desse tema. Algo que foge do tradicional estígma com o qual o mundo encara o "morrer".
Nos seus desenhos e gravuras noto os traços em dimensões diferentes. Me parece algo que trás a significância do tempo ao olhar do observador. Vejo algo do passado, num presente que me faz questionar o "como a obra nos vê?"
Paulo "fiote"










Bom, vão aí algumas das imagens do Sabará.










ISABEL FERRAZ

Auto Retrato
Há mais terra debaixo da pele, que a terra onde piso. Atravessei o século e ainda não me percorri.
(Carpinejar)


País do Tempo Imóvel
Chegamos assim, talvez ao extremo dessa idéia de tempo, em que o passado é catapultado em futuro. Pois não se trata de um passado a se descobrir, mas a inventar [...]
(Peter Pál Pelbart)


Cartografia Desdobrada
Marco pensava nos vapores que enevoavam a amplidão do mar e as cadeias das montanhas e que, ao rarearem, tornavam o ar seco e diáfano revelando cidades longínquas. O seu olhar queria alcançar o lado de lá da tela de humores voláteis: a forma das coisas se distingue melhor à distância.
(Ítalo Calvino)

Terra Icógnita
O termo “cartografia” utiliza especificidades da geografia para criar relações de diferença entre territórios e dar conta de um espaço. Assim cartografia é um termo que faz referência à idéia de mapa. [1] E um mapa nada mais é que uma superfície onde se faz a montagem de mundos. Cartografar é escolher rotas a serem criadas, é constituir uma geografia de endereços, de registros de navegação, buscar passagens. Cartografar é desenhar, tramar movimentos que juntem mar e navegador, compondo multiplicidades e diferenciações.
Representação de territórios e de mundos, os mapas trazem com eles várias questões: Como cartografar esse novo mundo globalizado onde as fronteiras, tanto físicas quanto metafóricas, não são definidas? Como cartografar esse fluxo fugidio de sensações e conhecimento que passa por nós? Desterritorializados, tentamos nos localizar nos mapas desenhados por outros e tantos homens. Mas é preciso que a eles acrescentemos novos desenhos, construamos novas coordenadas e inventemos, finalmente, uma nova maneira de estar no mundo.


[1] KIRST, Patrícia Gomes. Cartografia e Devires: a construção do presente. Porto Alegre, UFRGS. 2003. p.92